sábado

12 Anos Escravo

Desde que foi anunciada a estreia de 12 Anos Escravo que suspeitava de dois factos: 1. que ia indiscutivelmente ver este filme devido às suas várias nomeações para prémios; 2. que não ia sair muito feliz da sala de cinema. Tudo o que é livro, série ou filme com temáticas relacionadas com a escravatura e com o holocausto sempre tiveram o condão de me deixar com uma mistura de três sentimentos pouco saudáveis: indignação, revolta e pena. Na obra realizada por Steve McQueen só há espaço para os dois primeiros. Lágrimas só no fim, mesmo nos últimos 30 segundos. Durante o resto do tempo, qualquer espectador com o mínimo de sensibilidade, esquece que deve ter pena de Solomon - o escravo livre que levava uma existência feliz com a sua mulher e filhos em Nova Iorque - e a única coisa que lhe apetece é esmurrar os vários homens e mulheres cruéis que desfilam no ecrã. Quem achou A Lista de Schindler muito perturbante, não terá estômago para ver este 12 Anos Escravo. É o retrato de como há pessoas boas, más e outras muito más. Daquelas com as quais nunca nos queremos cruzar na vida. 
Se nos conseguirmos abstrair da história e concentrarmos-nos apenas nos restantes pormenores, há que elogiar: a magnífica fotografia e o desempenho fabuloso dos actores. Chiwetel Ejiofor é Solomon Northup. Lembro-me da cara dele de Amistad, outro filme sobre escravatura e de O Amor Acontece. Nunca pensei que este actor que sempre esteve longe dos grandes papéis pudesse exprimir com tanta perfeição o sofrimento atroz que o atormenta, apenas através do olhar. Steve McQueen filmou grandes planos da sua face durante longos segundos. E o olhar diz tudo.
Depois há Lupita Nyong'o, estreante nestas andanças mas cujo desempenho já deu origem a rumores de que é ela que vai ganhar o Oscar de Melhor Actriz Secundária. A actriz é a personagem central de uma das cenas mais marcantes e cruéis do filme. 
Finalmente Michael Fassbender, encarnando Edwin Epps, o ser humano mais execrável da história. O charmoso actor é tão bem sucedido a representar Epps, que esse dito charme é totalmente esquecido e substituído por asco. 
Aconselho a que vejam 12 Anos Escravo. Para os mais sensíveis quero aqui deixar o aviso que devem ir preparados.


   

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