domingo

O amor ao fim de 50 anos

Sou moça de ir à Missa de vez em quando ou simplesmente entrar numa Igreja para um breve tête à tête com o Divino. Acredito no grande D. sobretudo porque gosto de pensar que posso ter a quem agradecer quando as coisas me correm bem e posso ter quem culpar quando as coisas me correm assim para o mal. Hoje, com a ida à Missa domingueira deparei-me com a renovação dos votos de um casal que se mantinha unido há 50 anos. Grande foi a actividade cerebral que se gerou na minha cabeça perante tal facto. Perguntas, senhores, perguntas me invadiram sem pedir licença: seria um casamento feliz ou só fachada? será que ainda passeiam de mão dada na rua? será que ainda há amor ou apenas carinho e um grande companheirismo? Uma vez li algures que nos devemos casar com alguém com quem gostemos de conversar. Cá está um conselho adequado para estas situações em que chegamos a octagenários ainda com o estado cívil de casado no bilhete de identidade. Uma vez que o corpinho já não está nas melhores condições para grandes cambalhotas, vai de substituir o sexo por uma boa dose de conversa. 
Eu, como romântica incurável que sou, prefiro agarrar-me à ideia que o casal das bodas de ouro sempre foi feliz, que o amor sempre abundou e que ao fim destes anos todos, ainda olham um para o outro com a mesma paixão de sempre, que os sentimentos mais nobres ainda não estão reformados, como eles provavelmente estarão. 
Os bisavós de uma amiga minha chegaram a celebrar 70 anos de casados. Ele morreu primeiro e ela só conseguiu resistir à sua ausência 3 meses. Ela já não se conseguia lembrar da sua vida antes de ele aparecer. Dizem os filhos, os netos e os bisnetos que sempre foram felizes. Isto deixa-me satisfeita. Numa altura em que achamos que os finais felizes só ocorrem na ficção é bom saber que os há na vida real.
Pergunto-me qual a fórmula certa para aquilo a que chamo "o acasalamento para a vida". Será só amor, confiança e respeito ou há aquele factor X que ou se tem ou não se tem?
Os casais mais felizes que conheço alimentam além do amor, o humor. Têm também as mesmas ideias relativamente a questões que envolvem dinheiro e quanto à educação dos filhos, concordam pelo menos no que é essencial. Fazem algumas actividades juntos mas noutras vai cada um para seu lado.
Então e contrariamente ao acasalamento para a vida, o que dizer da solidão para vida? Será um privilégio quando a questão é a velha máxima do "mais vale só do que mal acompanhado". Teremos sido feitos, como diz um colega meu de trabalho, para nunca vivermos sós ou à vezes é de facto melhor optar pelo celibato?
Sós, unidos de facto ou unidos pelos sagrados laços do matrimónio, fomos feitos, a meu ver, para tentarmos atingir esse estado que é a felicidade e a que só chegam os audazes. Aqueles que nunca poderão ser acusados de não terem tentado amar e ser amados. 
E agora, para ilustrar este texto que é um hino ao amor, aqui vai esta bela canção tão boa para fazer meninos: "Perdóname" de Pablo Alborán com a nossa Carminho.



    

2 comentários:

  1. Os meus pais foram casados durante 31 anos e somente a morte os separou!
    E sempre foram felizes, mas claro que tiveram os seus arrufos (como qualquer casal)!

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  2. Isabelinha, os meus avós estão casados há coisa menos coisa como 65 anos...Cheira-me que quando for um, o outro vai logo igualmente, e claro sempre tiveram os seus arrufos, embora raramente presenciados por qualquer um de nós. Acredito que foram/são felizes, cada um a sua maneira. E acima de tudo fazem-nos felizes a nós por os podermos ver como um exemplo. Mas verdade se diga que o meu avô é um anjo! Atura muita coisa da minha avó e sempre com boa vontade. Beijokas!

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